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A camada tecnológica dessa questão tem endereço fora do tribunal: a mesma exigência de controle que o Conselho impôs ao Judiciário descreve o padrão mínimo que o escritório deveria cobrar da ferramenta que ele próprio contrata, e a contratação costuma acontecer sem leitura de contrato.
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Um assistente jurídico contratado por assinatura sem cláusula sobre treinamento com os dados enviados, retenção de conteúdo e localização do servidor recebe processo sob segredo de justiça em condições que ninguém no escritório aceitaria por escrito.
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A primeira frente é o inventário. Listar quais ferramentas de inteligência artificial a equipe já usa, quem contratou, com qual cartão e com qual conta, revela em uma tarde o tamanho da adoção informal.
A segunda frente é a cláusula de dados. O contrato precisa dizer se o conteúdo enviado alimenta treinamento de modelo, por quanto tempo fica retido, quem responde por incidente de segurança e onde o servidor está, e a resposta a essas quatro perguntas define o que pode ser colado na caixa de texto.
A terceira frente é a regra interna de uso. Documento curto que separa o que pode ir para a ferramenta, o que precisa de anonimização prévia e o que nunca sai do escritório, com revisão obrigatória de qualquer texto gerado antes de virar peça protocolada.
O risco específico aqui é a citação fabricada. Modelo de linguagem redige ementa convincente, com número de recurso plausível e tribunal correto, e o texto passa pela leitura rápida de quem já acredita no conteúdo, porque a forma está impecável.
Existe também o risco de o modelo trabalhar com norma revogada. Perguntado sobre o parâmetro do Conselho para uso de inteligência artificial no Judiciário, ele pode responder com a Resolução 332 de 2020, que circula em milhares de páginas indexadas, e o parecer sai apoiado em texto que não vige mais.
O Granola ajuda na parte chata desse controle: roda no Mac, escuta a reunião em que o time revisa as ferramentas contratadas e a política interna de uso, transcreve e devolve um resumo limpo com a transcrição completa embaixo, sem participante robô entrando na sala. Modelo freemium, feito para quem faz três calls antes do almoço.
Onde falha: transcrição não confere fonte, e a verificação de precedente continua precisando de alguém abrindo o número do processo no site do tribunal.
Junte as três frentes e a rotina cabe numa linha. Inventariar as ferramentas em uso, ler a cláusula de dados antes da próxima renovação, e conferir precedente por precedente antes de assinar qualquer peça.
"Quantas ferramentas de inteligência artificial a sua equipe usa hoje sem contrato lido e sem regra escrita?"
A Resolução 615 vive na página de Atos Normativos do CNJ, que registra no cabeçalho do ato a data da última alteração e as resoluções posteriores que mexem no texto. Reconfira essa página antes de protocolar o próximo pedido de informação sobre uso de inteligência artificial, e confira também a data de vigência das normas do tribunal onde o processo tramita, porque cada corte editou o seu próprio regramento a partir de 2025.
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